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Opinião | Ivan Witt |

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Ivan Witt

Brasil precisa avançar na manufatura 4.0

Tecnologia faz parte da receita para sair da crise

A prolongada crise na economia brasileira levou o mercado automotivo a um período de vacas magras inigualável na história do setor. Reduzir custos foi o primeiro remédio do qual as empresas lançaram mão. Com ociosidade em suas fábricas e concessionárias, não há como manter o quadro de colaboradores. O impacto da crise gerou demissões, layoffs, adesão ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE), reestruturação, juniorização da força de trabalho e encerramento das atividades.

Quem sai não se reemprega e aperta o cinto, quem fica se prepara para o pior e evita gastos. O cenário recessivo é uma espiral descendente que acaba no buraco negro da paralisia econômica. O número de desempregados no País chega a 12 milhões e, apesar da crise ter desacelerado, demissões ainda são o reflexo do momento que vivemos.

Nossas fábricas de veículos e de autopeças precisam de processos produtivos eficientes. Negociações sindicais nesse setor têm roteiro conhecido: repasse inflacionário, participação nos lucros e resultados e estabilidade. Como não há espaço para absorção desses custos, repassa-se os mesmos ao preço final do produto resultando em menor venda, menor lucro, menos postos de trabalho, menos dinheiro no bolso dos funcionários, que também adotam a cartilha de redução de custos e evitam consumir.

O Paraguai - quem diria - atrai empresas com legislação trabalhista mais moderna, com menos impostos, gerando postos de trabalho. Nosso vizinho nos força a encarar a realidade. Vivemos imersos num ambiente de negócios atrasado e burocratizado, sufocados na nossa incompetência coletiva para criar uma política trabalhista adequada ao momento que vivemos. Teremos que tomar o remédio para nos curar e retomar o nosso crescimento. Isso significa negociar o que nunca negociamos.

A manufatura 4.0, cada vez mais usada na indústria automobilística mundial, é necessária para a recuperação da nossa produtividade e para melhorar a capacidade de competir. Com isso, postos de trabalho de baixo valor agregado darão lugar a vagas para profissionais com conhecimento técnico. Sindicatos terão de ajudar na preparação de seus membros para essa realidade, recrutando profissionais com esse perfil, que entendam a nova tecnologia empregada nas fábricas e possam repassar este conhecimento.

O futuro demanda mais educação, mais produtividade. Às empresas, cabe investir em inovação, na criação de produtos que poluam menos, consumam pouco e custem mais barato. O governo deverá regular os mercados, investir em infraestrutura, fazendo mais com menos, com total transparência àqueles que financiam o estado, abraçando a bandeira da produtividade também em seus processos.

Precisamos sair da letargia gerada por essa crise sem precedentes. É preciso reacender a esperança de dias melhores que se avizinham. Devemos todos, empresas e sindicatos, buscar para nossas organizações profissionais preparados, educados, experientes, dispostos a desenhar uma nova realidade onde a inovação e a produtividade andarão de mãos dadas com formas sustentáveis de planejar, empregar, produzir, vender e consumir.

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