ANÁLISE

AUTOINFORME

Marcas querem melhorar valor de revenda


Companhias se empenham em ações para aprimorar atendimento e pós-venda


Ao mesmo tempo em que revela os carros e as marcas que obtêm bom valor na hora da revenda, o Estudo de Depreciação da Agência Autoinforme, base da Certificação Maior Valor de Revenda, aponta também os modelos que mais perdem valor após um ano de uso, o que prejudica a imagem da marca e afasta não apenas novos compradores, mas também os atuais proprietários, que eventualmente não manterão a fidelidade.

São várias as razões que levam o consumidor a optar por outra montadora na hora de trocar de carro, mas certamente o baixo valor de revenda é uma das principais delas. É decepcionante quando o mercado – e principalmente a concessionária da própria marca – desvaloriza o seu carro ou rejeita o modelo, sequer aceitando em troca de um veículo novo da mesma marca.

Na lista dos carros mais depreciados do mercado figuram alguns automóveis de marcas bem posicionadas no ranking das mais valorizadas. Normalmente são veículos que não foram muito bem aceitos, com pouca procura no segmento de usados e alto custo de revisão e de peças de reposição. Entre os exemplos estão Hyundai Elantra, BMW Série 3 e Nissan Frontier. O Elantra foi o mais desvalorizado dos três, com perda de 20,3% após um ano de uso. O Série 3 deprecia 18,1% e a picape, 16,9%. Freemont, Cherokee, Pajero TR4 e Tracker também tiveram depreciações expressivas no Estudo de Depreciação de 2016.

Algumas marcas têm problemas crônicos de imagem no mercado de usados e consequentemente seus carros perdem muito o valor de revenda. Nada a ver com a qualidade do produto, mas com uma política inadequada de pós-venda (ou inexistência dela), de atendimento ao consumidor, de planejamento de revisões, preço de oficina e peças e, principalmente, valorização do usado na hora da troca por um novo.

JAC, Citroën e Chery, por exemplo, tiveram modelos classificados nas últimas posições entre os 131 carros considerados no estudo, com índices de depreciação acima de 20%. O JAC J3 Turin perdeu 21,3% após um ano de uso; o Chery Tiggo 21,9%, o Citroën C4 Lounge 20,1% e o C3 Picasso 22,2%. A necessidade de estar entre as marcas mais aceitas pelo consumidor, no entanto, está fazendo com que as empresas incrementem ações de pós-venda.

Um dos exemplos é o programa Compromisso Citroën, que propõe aos clientes revisões programas pelo preço de R$ 1 por dia, criando política de valorizar o carro usado da marca: um C4 Louge seminovo nas concessionárias da marca vale no mínimo 85% da cotação da Tabela Fipe.

A depreciação de um carro não tem a ver com a qualidade do produto ou com o valor atribuído pelo consumidor a aspectos técnicos. Dirigentes da Citroën reconhecem que os modelos da marca perdem valor residual, embora os carros sejam valorizados em relação ao design, tecnologia e conforto. É uma questão de imagem. Veja o caso do C3 e do Aircross. São automóveis muito parecidos, dividem a mesma plataforma, sistemas e peças e, no entanto, têm um índice de depreciação muito diferente: enquanto o C3 registrou perda de apenas 11,4% do preço no último Estudo de Depreciação Autoinforme, o Aircross perdeu 18,6%.

Outra marca que não tem boa valorização na hora da revenda, a JAC tem um programa de pós venda para melhorar a imagem junto ao consumidor. Recentemente lançou um programa de revisões gratuitas de 50 e 100 mil quilômetros, com o objetivo de dar tranquilidade ao dono do carro mesmo em longo período.

O consumidor que seguir corretamente o plano de manutenção programada (três, 20, 30 e 40 mil km) ganha a revisão de 50 mil. Também as revisões de 100 mil, 150 mil e 200 mil não terão custo. Com essa medida, a empresa sinaliza ao mercado que acredita da longa durabilidade dos seus carros e chama o consumidor a apostar nisso.

A proposta de investir na longevidade dos produtos é levada também pela assessoria de imprensa da marca, que, de forma inédita, oferece para a imprensa especializada carros usados da frota da companhia para teste de direção.

Já a Chery está preparando ações de pós-venda para o próximo período, adaptando-se à sua nova realidade, que tem como base a redução de 50% na rede de revendas em 2017.

OS 20 CARROS QUE MAIS PERDEM VALOR
1) Citroën C3 Picasso : -22,2%
2) Chery Tiggo: -21,9%
3) JAC J3 Turin: -21,1%
4) Hyundai Elantra: -20,3%
5) Citroën C4 Lounge: -20,1%
6) Chevrolet Cobalt: -19,1%
7) Chery Celer sedã: -18,9%
8) Citroën Aircross: -18,6%
9) BMW Série 5: -18,1%
10) Hyundai Grand Santafe: -17,6%
Fonte: Autoinforme - Selo Maior Valor de Revenda 2016

QUINZENA FRACA INDICA UM FEVEREIRO SOFRÍVEL
Com apenas 60 mil carros, a primeira quinzena de fevereiro registrou um dos piores desempenhos do setor dos últimos tempos. Fevereiro já é um mês curto, de 28 dias corridos. Somado a isso está o feriado de Carnaval e o fraco fluxo nas lojas, o que deve resultar em mais um período com o título de “pior mês dos últimos anos”.

SÓ DÁ ONIX
Líder em 2016 e em janeiro de 2017, o Onix fechou a quinzena também em primeiro no ranking por modelo. A novidade é que a Toro está em sexto lugar entre os veículos mais vendidos. Já a Volkswagen Saveiro superou a Fiat Strada.

MAIS BARATO, SEMINOVO É A OPÇÃO TAMBÉM EM 2017
Ainda sem confiança na economia, consumidor continua apostando no carro seminovo: o segmento começou o ano com crescimento de 34,5% em janeiro, enquanto as vendas de novos continuam caindo. O consumidor está certo: o seminovo é a uma boa opção do ponto de vista financeiro. Só é preciso ficar espeto pra não comprar um carro com problema.

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Este artigo foi publicado originalmente na Agência Autoinforme
joelleite@autoinforme.com.br

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