ANÁLISE

INOVAÇÃO

Do thinking ao transforming


A inovação pelo design e a capacidade de melhorar a experiência do consumidor


Nunca houve momento mais propício para realizar inovação concreta na indústria da mobilidade. Tenho um amigo que possui um automóvel 1981 e se diverte dizendo que esse belo veículo permaneceu na vanguarda da indústria por 25 anos. Sejamos honestos: é pura verdade. Durante décadas, a inovação nos automóveis permaneceu na camada cosmética.

Somente nos últimos dez anos é que começou a chover inovação. Novos players inventando carros elétricos de alta performance, indústrias de outros setores entrando para o mundo da mobilidade, a eletrônica se sobrepondo à mecânica, revoluções na conceituação do que é, e do que significa, automóvel. Enfim, um verdadeiro tsunami chacoalhando o setor. Ao mesmo tempo, subsiste um mercado brasileiro ainda considerado atraente graças a milhões de cidadãos que sonham em adquirir seu primeiro carro – e prontos a fazer isso quando houver o tão esperado reaquecimento da economia.

Como, então, “mudar a marcha” no campo da inovação no Brasil e acelerar para conquistar esses clientes potenciais? Trabalhando e pesquisando isso há anos, para nós a resposta é clara. As indústrias terão que compreender o que estão vendendo e o que leva, de verdade, um cliente a escolher este ou aquele veículo.

Já vimos que não adianta, por exemplo, simplesmente adicionar acessórios, como várias companhias seguem fazendo. Isso resultará em custos maiores e em risco. Os compradores, especialmente os das classes C e D, estão hoje muito mais informados e cientes do valor de seu dinheiro. Não adianta investir em um atributo que eles não valorizem; é venda perdida. Para tocar diretamente o coração e a mente desses clientes, é preciso desenhar adequadamente a proposta.

Cuidado: não estamos falando de desenhar simplesmente como conceito de estética ou forma, como muitos veem o papel das áreas de design nas montadoras. Estamos falando do design na concepção mais ampla do termo. Do latim de + signare, significa fazer algo e distingui-lo por um sinal, atribuindo-lhe significado e indicando sua relação com outros elementos. Pode-se dizer, portanto, que design é dar sentido às coisas (Krippendorff, K., 1989).

O design que propomos é a forma de pensar e de conceber um produto para que ele preencha as expectativas dos compradores futuros. A metodologia em que estamos trabalhando há quatro anos é uma evolução do superdifundido design thinking. Isto é, da exitosa receita de Tom Kelley, da Ideo, que trouxe técnicas usadas pelos designers para projetar a melhor experiência possível para cada público-alvo.

De nossa parte, passamos a uma abordagem de design doing, focando mais nas etapas de prototipagem rápida e testes. Recentemente, fomos além e evoluímos para o design transforming, uma estrutura de pensamento e trabalho mais completa que supre lacunas do design thinking.

Na jornada do cliente, por exemplo, na qual se consegue avaliar o que é valor apenas com as lentes do presente, lançamos mão do conceito de Intérpretes (Verganti, R., 2012). Intérpretes são pessoas sensíveis, descoladas e visionárias, capazes de capturar tendências e novas perspectivas de comunidades na vanguarda da sociedade.

Para suprir o foco predominante da inovação em produtos, aplicamos técnicas de user experience (UX) para caracterizar a relação entre um público, uma empresa e seus produtos e serviços. O intuito é tornar a experiência do público-alvo com aquela empresa algo realmente inesquecível. O UX diz respeito aatender expectativas, proporcionar qualidade, garantir eficiência e satisfação e oferecer, de forma simples e direta, o que o usuário procura.

Outro diferencial é que a metodologia design transforming propõe o estabelecimento de métricas por meio de um “painel de inovação”. Torna-se possível acompanhar o progresso da organização em termos de inovação e conexão com as metas estratégicas. Fazer uso da prototipagem rápida é outra característica importante do design transforming. O foco é encontrar maneiras de testar rápido para errar rápido, a um baixo custo.

Nos ciclos de design transforming, aplicam-se às soluções os princípios centrais das ExO, organizações exponenciais (Ismail, S.,2016), como a integração de equipes internas e externas em projetos, a aproximação com comunidades, o desenvolvimento de algoritmos e a análise de grande quantidade de dados, bem como a utilização de ativos alheios por meio de locação, permuta ou compartilhamento.

Sucesso em suas transformações pelo design!

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