ANÁLISE

DE CARRO POR AÍ

Acordo entre Mercosul e UE mudará o mercado?


Nova proposta não agrada a indústria automotiva


No relacionamento de quase 18 anos entre União Europeia e Mercosul, este apresentou proposta densa para vários setores, incluindo o automobilístico. Pela oferta, o bloco econômico do sul reduziria Imposto de Importação à razão de 2,6% anuais, zerando-o em 15 anos.

Indústria automobilística não gostou, contrapôs oito anos na situação atual e cota de importação de 35 mil veículos/ano. Alega, precisa prazo para se organizar, e avisa: matrizes se desinteressarão de investir na área. Governo parece pouco sensível.
História antiga e de maus resultados. À abertura no governo Collor, propôs-se imposto em 20%, mas pressões internas elevaram a 35%. Sob o ponto de vista oficial, era proteção de mercado e empregos. Mas na prática incentivou manter carros, motores e transmissões antigos em produção e, sem competitividade com produtos externos, empacou o desenvolvimento e garroteou a produtividade. Criou uma barreira para proteger o atraso e a incompetência.

Proposta do Mercosul tem tudo para dar certo, embora vá enfrentar dificuldades pelo grupo europeu no campo da agricultura e da pecuária. Súbita eleição de Donald Trump e toda a insegurança de suas propostas, incluindo resumir o comércio internacional em nome de manter empregos nos EUA, pode dinamizar os negócios intercontinentais como, por exemplo, livre comércio com o México.

Definições concretas somente após as eleições de 2017 na França e na Alemanha.

Carro elétrico é pra valer
Dúvidas a respeito de carros movidos por combustíveis fósseis não devem existir. Nada de receio do fim das reservas, como sempre alardeado, mas pela simplória razão de ser poluentes e contra o meio ambiente, incluindo a saúde dos votantes e contribuintes. Opções várias vem sendo testadas, mas entendimento entre grandes fabricantes alemães, uma das líderes na aplicação destas tecnologias, mostra a eletricidade como o caminho mais provável.

Audi e Porsche, do grupo VW; BMW; Daimler; e Ford assinaram carta de intenções para trocar sinergias, conhecimentos, - e economizar - com o criar rede de estações de recarga capaz de receber veículos de todas as marcas. Rede capilarizada dará autonomia aos elétricos permitindo recarga por todo o país – a Alemanha tem, a grosso modo, o tamanho do estado de SP.

Outra novidade é a padronização de carga para até 350 kW e adoção do Sistema de Carga Combinado, CCS, utilizando um conector – tomada – compatível com as atuais marcas e regra para as próximas gerações. Com tecnologia em comum além de reduzir custos para a rede inicial de 400 estações, provará a tornar o elétrico realidade.

História se repete na mesma Alemanha. Há 130 anos o automóvel deixou de ser coisa estranha e passou a ser visto como veículo confiável, todos sabem, quando dona Berta Benz tirou da estrebaria o sacolejante triciclo criado por seu marido e dirigiu 140 km pela Floresta Negra até a casa de sua mãe.

Negócio deve evoluir para uma joint-venture, permitindo adesão de outros fabricantes e permear a estrutura para a Europa e a ideia para o mundo.

Um tapa no Amarok
Seis anos após seu surgimento, a picape Amarok Volkswagen passa pela primeira atualização instigada pelo mercado. Há 30 anos a antiga SR, construtora de cabines duplas, retirou as picapes da posição de veículo de trabalho, carro de entregas e lavradores, e conseguiu inseri-los na relação de itens de desejo, competindo com automóveis caros ou importados usados. Modesta, bem-sucedida, criou nova faixa de compradores, os macho man, trocando automóveis confortáveis por picapes duras, ásperas, trepidantes por seus adaptados motores diesel de trator. A abertura das importações não mudou o foco destes compradores, exigindo equipamentos e confortos, colocando-os na linha direta de disputa com automóveis de relevo. Leitor sabe, uma picape com o mesmo nível de equipamento custa acima das referências premium do mercado, como Mercedes C, Audi e BMW 3.

Para atrair clientela às rentáveis versões com maior conteúdo, reviu aparência frontal, mudando desenho de faróis auxiliares, grade e para choques, aplicou rodas leves em tamanhos opcionais entre 16 e 20”.

Exceto placa de proteção para cárter do motor e caixa de marchas, mecânica se manteve intocada, liderada por motor diesel de 4 cilindros, 2,0 litros de cilindrada, potência variando por versão e aplicação: carros de trabalho, frotas, um turbo compressor e 140 cv; aplicações automobilísticas, não picapeanas, 180 cv obtidos por dupla de sopradores. Mecânica de bom comportamento, transmissão mecânica de seis velocidades nas versões de menor preço, e automática com oito marchas para as superiores. Em todas a tração é permanente nas 4 rodas, e não há caixa para marcha reduzida: a primeira velocidade é extremamente curta para cumprir eventual demanda.

No foco para clientes com ilógico ponto de vista de picapes como grandes carros de luxo e com enorme porta malas, interior foi cuidado, em extensas mudanças. É automobilístico em confortos, e nas versões superiores, Highline, regulagens elétricas para os bancos frontais, materiais cuidados, de bom tato, e os oferecimentos atuais de conectividade, como sistema multimídia com espelhamento de celulares com as plataformas MirrorLink, Google Android Auto e Apple Carplay. Outros, comando da transmissão automática sob o volante e introdução de sistema de frenagem automática pós-colisão.

Visão
Interior supera parte externa. Exceto derivados de automóveis, Volkswagen era jejuna em picapes até decidir-se pela Amarok. Seis anos após, conteve o orçamento, manteve as linhas criadas por lápis do século passado. Mudanças intentam melhorar sua performance no mercado – 5ª em vendas, abaixo de Chevrolet S10; Toyota Hilux; Ford Ranger e Mitsubishi Triton -, entretanto permitir-se-á destacar pelo grande argumento para o segundo semestre: motor V6 3.0 para performance acima de todos os demais.

Quanto
S cabine simples: 113.990
S cabine dupla: 126.990
SE: 130.990
Trendline: 148.990
Highline: 167.990
Highline Série Extreme: 177.990

Roda-a-Roda
Recorde
– Circuitos de autódromos têm sido usados por fábricas de automóveis para registrar tempos de volta – e recordes. Inglês Anglesey Coastal, no país de Gales, GB, é um desses, vendo cair o recorde do McLaren P1 GTR.
Novo – Autor o Mono, monoposto carenado, autorizado a andar em ruas e estradas. Leve, 580 kg, performático ao combiná-lo com motor de 2,5 litros, 305 cv, câmbio sequencial seis marchas – é Fórmula 3 carenado, rodou em 1 segundo abaixo do McLaren.
Curiosidade – Briggs Automotive Company (BAC), montadora, tem sócio brasileiro, publicitário Alexandre Gama, dono do único exemplar no Brasil. Há dois anos anunciou fabricá-lo - mas levou o capital para Grã Bretanha.
Quebra galho – Descumprindo a promessa aos revendedores de oferecer versão automática para o Troller, Ford resumirá atrativos a séries especiais. Primeira é a Bold, em 180 unidades.
E? – Carroceria pintada em dois tons, com sempre presente Cinza Londres Escuro, combinado com Amarelo Dakkar, Vermelho Arizona ou Branco Diamante II. Dentro, revestimento mais escuro e o Cinza Londres generosamente aplicado no painel de instrumentos, painéis de porta, console, alavanca de marchas.
Menos – Caiu a previsão de carros importados em 2016. De 39 mil unidades, deverá arranhar 36 mil. Representam apenas 1,7% no mercado nacional.
Razões - Carros importados enfrentam três barreiras: preço do dólar, 35% de imposto de importação e adicional de 30 pontos sobre o IPI. Abeifa, associação de classe, pede ao governo a remoção dos questionáveis 30 pontos sobre o IPI criados na gestão do hoje policialmente questionado Fernando Pimentel.
Investimento - Ao presidente Michel Temer, Toyota anunciou investimentos de R$ 600 milhões na fábrica de Porto Feliz (SP). Boa notícia em meio a cenário econômico negativo, aporte permitirá produção de novos propulsores para o sucessor do atual Corolla, sedã a ser lançado nos próximos meses.
Depois - Novos motores não seguirão a tendência de downsizing, redução em tamanho e peso, nem iniciará o caminho do uso do turbo alimentador para a marca no Brasil. 2.000 cm3 de cilindrada, 16 válvulas, construído em alumínio, inicia nova geração para o Corolla e futuros produtos. Primeiro Toyota nacional com injeção direta de combustíveis, apto a receber turbo alimentador, e unidade de força para outros futuros produtos na América Latina.
Mais – Após conquistar o rótulo de Líder em Segurança como primeiro veículo nacional com nota máxima de proteção para adultos e crianças, Renegade viu seis de suas versões nos Top 10 em segurança. Levantamento feito pelo Cesvi/Brasil entre 293 versões de 58 modelos e 14 marcas, o jovem Jeep foi apontado como melhor nacional, com seis entre os 10 primeiros colocados.
Consequência – Resultado de bom projeto e seu reconhecimento pelo mercado pelas vendas, Agencia AutoInforme aferiu, em novembro ficou em segundo lugar em desvalorização, com perda modesta de 6,4% em um ano de uso.
Fim – Juiz de São Bernardo do Campo (SP), decretou a falência da Karmann-Ghia. Antes pioneira alemã pioneira vinda com a indústria automobilística, passou de mão em mão. Última sequer pagou salários e energia.
Acerto – Representantes da Paccar – dos EUA, proprietária das marcas de caminhões Kenworth, Peterbilt e DAF – reuniram executivos da DAF, operando no Brasil e da fornecedora Randon Autopeças. Explicar filosofia, exigências, visões para enfrentar o crescimento da concorrência no mercado. No Brasil DAF monta caminhões desde 2013 em Ponta Grossa (PR).
Crença – Volkswagen Caminhões e Ônibus investirá R$ 1,5 bilhão entre 2017 e 2021. Fará novos produtos e aplicará em conteúdo de digitalização, conectividade e, campo prolífico, expansão internacional da marca. Recursos virão da própria operação, e foi a segunda boa notícia automobilística para o governo Temer.
Negócio – Aproveitando dívida líquida de 1/3 do patrimônio, Dana de autopeças adquiriu negócios de transmissão de forças e fluidos da italiana Brevini. Comprou 80% das ações, com opção para as restantes. Rolou a dívida.
Futuro – Acredita fortalecer suas capacidades nos crescentes mercados de veículos híbridos, de fora de estrada, e para as grandes mudanças em estrutura industrial e de produto. Raul Germany, CEO da Dana no Brasil entende, compra dará diferencial para expandir base de clientes regionais.
Mudança – Pirelli apresentou novos pneus para a temporada 2017 na Fórmula 1. Basicamente mantiveram o aro de 13” e cresceram 25% na área de apoio com o solo. Dianteiros são 305 mm/670 e traseiros 405 mm/670.
Futuro - Valem para os três tipos, chuva, intermediário e piso seco. Equipes participaram intensamente dos testes, provendo mudanças necessárias nos monopostos. Um sofrimento, pois carros 2015 buscando se acertar para 2017.
Retífica RN – Coluna passada atrapalhou-se com nome do designer do renascer do Willys Interlagos no Brasil. É João Paulo Melo.
Gente – Lapo Elkann, 39, inventador de modas, neto e herdeiro de Gianni Agnelli, ex-top da Fiat, preso. OOOO Criou história de auto sequestro, família não acreditou, e polícia de Nova Iorque localizou-o em festa. OOOO Diz a força policial, quantia seria para manter o clima. OOOO Que festa ... OOOO FCA não comenta. OOOO

Revitalizando o Renegade

Para não perder o pique de vendas, manter a disputa no segmento dos SUVs, e a sequencia de prêmios pela imprensa, Jeep incrementou o Renegade 2017, já nos revendedores. Novidade maior está nas versões mais vendidas, utilizando motores 1,8 litro de cilindrada, flex.

Realizou desenvolvimento sobre o propulsor, identificando a etapa como Evo flex, para torná-lo mais ágil, potente e econômico – na prática melhorar as sensações do motorista. Mudanças geraram 7 cv a mais, indo a 139 cavalos de força, mas o foco mais centrado da Jeep era dar melhores sensações ao condutor. Para isto privilegiou o funcionamento ao aplicar coletor de admissão variável – o percurso varia para maior ou menor distância dependendo da demanda comandada pelo acelerador -; aplicou bomba de combustível inteligente, mudando a pressão de acordo com a exigência; e, epicurismo mecânico, aplicou óleos lubrificantes de menor atrito para motor e transmissão.

Resultado obtido, maiores maneabilidade e respostas em baixas rotações, menor necessidade de mudança de marchas – e até 10% na redução de consumo. Outros melhoramentos foram monitoramento indireto da pressão dos pneus – menor pressão aumenta o consumo -, indicador de troca de marchas, pneus ditos verdes, com menor atrito na rolagem com o solo, alternador inteligente – só gera energia sob demanda, reduzindo o auxílio do motor. Criou versão Limited assinalando o topo no segmento com motor 1.8 flex.

Na linha mantém a exclusividade do motor diesel 2.0 e transmissão automática de nove velocidades. O Renegade é o único dentre os utilitários esportivos não derivado de carro de passeio.

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