ANÁLISE

AUTOINFORME

A busca por um bom valor de revenda


Empresas investem em ações para melhorar o custo total de propriedade


A preocupação com a boa imagem dos carros da marca no mercado de usados leva algumas montadoras a realizar ações específicas para melhorar o pós-venda, criando grupos de trabalho internos para levantar questões que possam melhorar a satisfação do cliente. O objetivo é reduzir as despesas do dono do carro, uma busca constante em melhorar o chamado Custo Total de Propriedade do veículo. Entram nesse contexto, entre outros itens, o valor que o dono tem que pagar de seguro, o custo das revisões, a manutenção preventiva, incluindo mão de obra e peças de reposição, e a depreciação do veículo na hora da revenda, item que, na verdade, é resultado da soma dos demais fatores.

O índice de reparabilidade e o valor do seguro são alguns dos itens que compõem o custo de propriedade e que o grupo de trabalho da Volkswagen do Brasil se esforça para reduzir. O resultado foi a vitória nas categorias de entrada, com o Up!, e perua, com o Golf Variant no Selo Maior Valor de Revenda, entregue no último dia 17 (leia aqui aqui). Profissionais da empresa atuaram junto a seguradoras para obter um preço menor do seguro do Golf, com resultados positivos.

A Toyota investe pesado na boa imagem dos seus carros atuando no pós-venda. De outra forma a empresa não teria obtido a invejável performance do Corolla que, mesmo são sendo o mais estiloso, o mais barato ou o mais potente e mais equipado, é o sedã médio mais vendido no Brasil e o tricampeão do Selo Maior Valor de Revenda em sua categoria.

A Hyundai mantém um acordo com a Abrahy, a associação das concessionárias da marca, que limita o número de carros a serem vendidos para frotistas, de forma a não deteriorar o produto, já que as vendas com desconto prejudicam a valorização do produto no mercado secundário. Seu HB20s é pela terceira vez o sedã de entrada que obtém o maior valor de revenda do mercado.

Campeão do Selo Maior Valor de Revenda 2014 e 2015, o Chevrolet Onix, é tratado com muito cuidado pela equipe de pós-venda da empresa. O carro venceu este ano na sua categoria tornando-se tricampeão entre os hatchs compactos. “Traçamos uma estratégia bem definida e perfeita, diz Luiz Felipe Teixeira, gerente de marketing da General Motors. Entre as ações estão a criação de uma versão aspiracional e o atendimento do consumidor com um grande leque de opções. A empresa também aponta não ser se deixar levar pelas ofertas dos concorrentes com preços apelativos, agressivos.

A GM não força a concessionária a aceitar o carro usado da própria marca na troca. Segundo a empresa, seria eficiente, mas poderia prejudicar o revendedor, o que não é sustentável: “O mercado é que tem que criar essa situação”, revelou uma fonte da empresa.

Luxo também tem valor
Pela primeira vez nos três anos de Selo Maior Valor de Revenda, três marcas de luxo conquistaram vitórias em três categorias. O CLA na categoria sedã grande não chegou a surpreender, já que a Mercedes-Benz iniciou plano de penetração no mercado brasileiro há dois anos e começa a colher os resultados.

“Esse prêmio concretiza a estratégia da Mercedes-Benz de desmistificar junto ao consumidor a ideia de que carro de luxo deprecia logo que sai da concessionária e que tem alto custo de manutenção” enalteceu um dirigente da empresa, enumerando as ações que a Mercedes-Benz fez nos dois últimos dois anos e que resultaram na melhoria da imagem da marca no que se refere ao custo de propriedade do veículo.

A empresa aumentou o número de concessionárias de 38 em 2014 para 50 em 2015 e vai fechar este ano com 56. Para dar tranquilidade ao consumidor novato na marca, a companhia criou ainda um conjunto de ações de pós-venda.

Além disso, a Mercedes-Benz lançou o Classe C com carroceria nova em agosto de 2014, montou um pacote de revisão com preço fixo, fez ações junto a seguradoras para reduzir o preço do seguro e passou a fabricar o carro no Brasil, na unidade inaugurada em março deste ano em Iracemápolis (SP). “Acreditávamos que o consumidor de sedã grande precisava de uma alternativa superior e apostamos que ele migraria dos modelos de marcas tradicionais no Brasil para o Mercedes-Benz.”

De fato, essa migração é notória e explica o crescimento das marcas de luxo mesmo num momento em que o mercado total de carros está em baixa. Segundo o diretor de Marketing da Volvo Car, Leandro Teixeira, nada menos do que 72% dos compradores de carros premium são de marcas comuns, de grande volume de vendas, e apenas 28% são consumidores que já possuíam um veículo das marcas de luxo.

O respeito ao bolso do cliente foi também o mote que levou a Volvo a conquistar o Selo Maior Valor de Revenda com o Volvo XC60, na categoria utilitário esportivo médio, conforme Leandro. A empresa definiu os valores de revisão e fez uma programação de custos de manutenção: a primeira revisão do XC90, por exemplo, o modelo topo de linha da empresa, custa R$ 949. A revisão de 20 mil km custa R$ 1.849, a de 30 mil R$ 949 e de 40 mil R$ 2.349, a de 50 mil km R$ 949 e a de 60 mil quilômetros R$ 3.499.

Conheça os ganhadores do Selo Maior Valor de Revenda 2016


CAMPEÃO GERAL
Honda HR-V – 4,5% de depreciação após 1 ano de uso

CARRO DE ENTRADA
Volkswagen Up! – 9,4%

HATCH COMPACTO
Chevrolet Onix - 8,3%

HATCH MÉDIO
Volkswagen Golf – 13,2%

HATCH PREMIUM
Fiat 500 - 13,4%

MINIVAN E MONOVOLUME
Honda Fit – 10,5%

PERUA
Volkswagen Golf Variant – 13,1%

PICAPE PEQUENA
Fiat Strada - 10,5%

PICAPE MÉDIA
Toyota Hilux – 13,9

SEDÃ DE ENTRADA
Hyundai HB20S – 11,6%

SEDÃ COMPACTO
Honda City – 10,4%

SEDÃ MÉDIO
Toyota Corolla – 11,7%

SEDÃ GRANDE
Mercedes-Benz CLA – 13,6%

SUV COMPACTO
Land Rover Discovery Sport – 9,3%

SUV MÉDIO Volvo XC60 – 11%

SUV GRANDE
Land Rover Discovery – 12,4%

CROSSOVER
Mitsubishi ASX – 13,4%

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Este artigo foi publicado originalmente na Agência Autoinforme
joelleite@autoinforme.com.br

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