ANÁLISE

RH E VIDA CORPORATIVA

Aguente firme, o futuro será promissor


É nos lugares mais desafiadores que as oportunidades imperam


Em artigo publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no Brasil subiu no segundo trimestre 11,3% em relação ao mesmo período em 2015. A maior taxa foi observada no Nordeste. Em um ano, o índice de desemprego subiu de 10,3% para 13,2%. No primeiro trimestre deste ano, o índice havia ficado em 11,4%.

Na sequência, entre as maiores taxas estão as do Sudeste (de 8,3% para 11,7%), do Norte (de 8,5% para 11,2%) e do Centro-Oeste (de 7,4% para 9,7%). É o maior índice desde que se iniciaram as medições em 2012. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mensal registrou que o Brasil tinha, em média, 11,6 milhões desempregados no segundo trimestre de 2016.

A boa notícia é que, apesar de ainda ser crescente, o número começa a perder força. Nem por isso, os jovens, os mais afetados pelo problema, estão menos preocupados. A vontade de deixar o País, entre os que têm formação superior, é grande. Buscam oportunidades compatíveis em países que precisam de mão de obra e oferecem melhor infraestrutura.

Destinos como Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia, por exemplo, fazem sonhar com dias melhores, empregos dignos e estilo de vida ascendente. Casos de sucesso de quem migrou atraem cada vez mais pessoas educadas e desesperançadas com nossa realidade. Para piorar, percebe-se nas pessoas empregadas desejo semelhante, tentando fugir da carga tributária exorbitante e que tão pouco em troca dá.

É uma pena! Porque essa parcela da população é que pode dar novo rumo ao País. Nela está a energia e a inconformidade com o status quo. Nela residem as dores causadas pelos anos investidos que agora não frutificam. Nela reina o inconformismo, a sede pelo novo. Esse é o terreno fértil para mudanças.

Daí brotam desejos, ideias, esperanças que podem transformar ainda mais o País. Para jovens de 20 anos pode parecer pouco o que avançamos, mas lembro-me da inflação galopante, de linhas de telefone de US$ 5 mil negociadas em bolsas de telefone, carros ultrapassados, dias bem piores.

Não que essa tenha que ser a referência. Mas é nos lugares desafiadores que as oportunidades imperam, que as chances de fazer algo relevante ocorrem em maior quantidade. Nos jovens, o ter é mais importante que o ser, faz parte. O problema é que vivemos no mundo onde coisas são mais importantes que vivências. Por isso os lugares mais desejados são aqueles onde o preço das coisas é mais em conta.

Porém, nesses mesmos lugares, serviços custam muito mais caro. Tente contratar uma diarista nos Estados Unidos, ou um encanador. Sim, já estamos experimentando esse fenômeno por aqui. Mas em todo o mundo a tendência é que o custo das coisas, graças à expansão tecnológica, continue caindo.

Veja por exemplo o celular Blu R1HD da Amazon. Um Android, projetado nos Estados Unidos e fabricado na China. Não é uma referência em desempenho mas roda a maioria dos aplicativos, tem uma tela maravilhosa, câmera de 8 M de resolução, uma frontal de 5M, dois chips e é vendido desbloqueado por US$ 59,99. A versão de 1GB de Ram custa US$ 49,99 (ambos à venda pela Amazon nos Estados Unidos).

Empresas de logística já entenderam que a nova demanda deverá se dar em horas, não mais em dias, e por isso investem em parques de impressoras 3D para que possam fabricar nas pontas de consumo aparelhos ordenados on-line pelos clientes. Estão se reinventando.

No mundo daqui a cinco anos o trabalho formal com carteira assinada dará lugar a outros arranjos. Você poderá, da sua casa, prestar serviços em qualquer lugar. Sistemas de realidade virtual poderão trazer imagens em tempo real. Experiências como visitar um museu ou um evento esportivo como se você estivesse lá serão cotidianas. Sistemas financeiros provavelmente serão integrados mundialmente em tempo real e o dinheiro como conhecemos desaparecerá. Duvida?

Veja o que aconteceu com a mobilidade depois do Uber. Com os hotéis depois do Airbnb. Com os SMS depois do WhatsApp, do caderninho de notas depois do Evernote. Milhares de cursos de universidades renomadas podem ser desfrutados gratuitamente por computador, nas horas livres, no conforto da sua casa.

Todos os dias, em todos os lugares do mundo, pessoas criam maneiras para gerar oportunidades, percorrem novos caminhos, fazendo com que as coisas melhorem, sejam mais fáceis. O crescimento é exponencial e sem volta.

Perguntem-me como será o mundo trabalhista nesse cenário e não saberei responder. Mas intuo que será colaborador, informal, inovador, descentralizado. A Alemanha continuará sendo técnica, o Himalaia feliz, Paris maravilhosa e o Rio de Janeiro lindo. Daqui dos meus 55 anos (10 deles vividos em 5 países diferentes) posso dizer que para trabalhar qualquer país traz desafios e oportunidades de crescimento.

Mas para viver, o que mais lhe recompensa é aquele onde suas raízes estão. Desta terra se fez o sangue que circula em suas veias e, acredite-me, é questão de tempo para que você sinta o chamamento para fazer mais e melhor neste lugar. Aos jovens que pensam em partir em busca de coisas, apelo à sua paciência. Acreditem no Brasil, nos brasileiros, nos novos tempos. Tomem para si a responsabilidade de fazer deste País algo único, especial, relevante.

Não só para os brasileiros, mas para a humanidade. Podemos muito, somos flexíveis, acreditamos na força do amor, nos sorrisos. Aprendemos a respeitar a diversidade, a natureza, o ócio saudável e podemos dar exemplos de muita coisa.

Esqueçam de absorver culturas diferentes somente pelo ter (se for pelo ser, adiante). Não há fronteiras para quem acredita na educação, no trabalho, na verdade, na natureza, na gratidão. Basta um pouco mais de paciência. Só mais um pouco...

Comentários: 5
 

Milton Lubraico
06/09/2016 | 07h57
A visão de futuro, motivação e otimismo fazem a diferença de profissíonais & lideres como o Ivan Witt. Cada artigo desenvolvido por ele é um ensinamento e fonte de inspiração para transpormos as barreiras/dificuldades e "sempre" acreditar em um futuro melhor e promissor.Parabéns pelos artigos construtivos e esclarecedores.

Vagner Vicentainer
08/09/2016 | 09h23
Muito bom esse texto. Uma ótima dose de inspiração!

Fabiano
08/09/2016 | 11h07
Aceitei o convite de morar fora para oferecer aos meus filhos oportunidade e seguranca nao encontradas no Brasil. Batalhei para chegar aqui: 5 horas de sono, fim de semana estudando, terminar a faculdade depois dos 35. Por isso aprendi a agarrar as oportunidades: cursos de linguas comprados em bancas de jornal e lidos de pe a caminho do trabalho. Ler apostilas de pos graduacao ja usadas, ler o jornal que estava na recepcao do trabalho. Hoje, com curso tecnico, faculdade, 30 anos de experiencia e 4 idiomas, fui convidado para compor um time de ponta nos EUA. Certeza que tenho saudades, que tem horas que o coracao aperta, de que nunca serei um americano mas aos 48 anos eu cansei de pagar impostos sem retorno, cansei de ter um servico publico ineficaz, cansei de ser chamado de burgues sendo que ninguem sabe o que passei. E o Brasil segue perdendo mao de obra qualificada (conheco muitos qualificados que deixaram nos ultimos 2 anos). Um dia eu volto mas por enquanto, fico.

Clovis Medeiros
08/09/2016 | 14h21
Ótimo e esperançoso artigo do Ivan. Concordo inteiramente com ele quando fala sobre as melhores oportunidades de trabalho no mundo fora do Brasil, por falta de oportunidades, mas quem vivenciou isso sabe que se sente uma saudade imensa e uma vontade tão grande da nossa pátria que melhor seria em conseguir essas coisas por aqui, mesmo que em bem menores proporções, eu acho.

Fabiana
30/09/2016 | 07h16
Excelente artigo. Parabéns!

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