ANÁLISE

QUALIDADE

Montadoras e fabricantes de autopeças na mesma mesa


Parceria traz benefícios para toda a cadeia de suprimentos


É preciso mudar a visão do mercado sobre parceria. Para a evolução de toda a cadeia automotiva, devemos entender que montadoras e fabricantes de autopeças, apesar de terem pontos conflitantes, dependem umas das outras. Quanto mais trabalham em conjunto, em prol da qualidade, melhor é o resultado para o consumidor final.

Foi justamente esse entendimento que motivou há cerca de três anos a realização de reuniões e eventos conjuntos entre as comissões de qualidade da Anfavea e do Sindipeças, com apoio do IQA, que identificou esta necessidade pelo fato de muitos temas serem comuns: alguns complementares, outros conflitantes.

O primeiro objetivo era alinhar os assuntos e eliminar conflitos em diversos temas que envolviam a qualidade. Esse foi o nosso primeiro grande avanço. Antes disso era cada um no seu mundo, com sua interpretação e sua reivindicação. Perdia-se tempo demais. Muitas vezes os processos não andavam por conta de sua complexidade.

As fabricantes de autopeças discutiam os requisitos específicos das montadoras, complementares à norma ISO TS 16949, mas não chegavam a um claro entendimento das recomendações. Hoje, nas reuniões da comissão conjunta, o Sindipeças tem a oportunidade de apontar onde estão as maiores dificuldades para esclarecimento, considerando que diversos requisitos são similares.

A relação entre as duas partes já se mostra mais transparente. Quando as empresas de autopeças pedem derrogas, os desvios em relação aos requisitos específicos das montadoras, por meio desta comissão o setor consegue interpretar o motivo do desvio buscando a melhoria continua do sistema da qualidade.

Assim, montadoras e sistemistas discutem abertamente na mesma mesa as necessidades do setor e as oportunidades de melhoria. Resultado disso: as fabricantes de autopeças podem simplificar os processos e agilizar as aplicações. Melhora a qualidade do produto e a do processo, e a própria interpretação do sistema da qualidade.

Quanto mais as duas partes trabalham juntas no planejamento da qualidade e no entendimento dos requisitos de engenharia, melhor nasce o produto porque será melhor interpretado, e menor será o prejuízo para o cliente final. O planejamento avançado da qualidade é um tema em bastante discussão, o que deve trazer mais benefícios.

O IQA trabalha em prol dessas demandas. Aliás, parte dos serviços oferecidos pelo Instituto vem das questões levantadas nessas discussões. Em capacitação, exemplo é o desenvolvimento da Formação em EQF – Especialista em Qualidade de Fornecedor.

A nossa grande meta na Comissão Conjunta de Qualidade Anfavea e Sindipeças é aprimorar a qualidade dos produtos nacionais para melhorar a satisfação do consumidor final e, por consequência, ter a qualidade made in Brazil reconhecida em todo o mundo. Queremos apresentar indicadores que sejam comparáveis aos de qualquer país e, assim, alavancar as exportações. Portanto, que sigam os trabalhos desta boa parceria!

Comentários: 1
 

Saulo Riether
29/02/2016 | 10h41
Excelente artigo e ótimo tema. Nossa empresa nasceu na antiga Freios Varga exatamente para aplicar o conceito de que o fornecedor era uma extensão de nossa casa. Em 2002 fomos contratados pela Toyota e ali entendemos a dimensão desta "filosofia". Desde o nosso surgimento, em 1996 até hoje, muitos de nossos clientes usam nossas soluções de Gestão da Qualidade de Fornecedores com este mesmo propósito, mas vemos no mercado em geral uma relação de antagonismo entre cliente e fornecedor. Espero que o IQA tenha sucesso em seus esforços e que as montadoras acordem para o fato de que esta posição que elas tem com seus fornecedores, quase sempre se extende a seus clientes através de tratamento dispensado pelas suas concessionárias. Ou a Toyota ainda não é uma das mais bem avaliadas por seus clientes em termos de atendimento?

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