ANÁLISE

INOVAÇÃO

Como ter sucesso no setor automotivo mesmo na crise


Um recurso eficaz é capaz de manter o fôlego e a atração de consumidores


Em profunda e crescente crise, o setor automotivo nunca precisou tanto de inovações para conquistar os poucos consumidores dispostos a comprar. Cuidado: não estou falando dos usuais programas de ideias, que é por onde a maioria das empresas gosta de começar. Refiro-me a modelos eficazes e robustos de geração de Inovação Estratégica. Isso mesmo.

Sem desprezar a etapa de ideação, temos de reconhecer que as empresas estão submersas por montanhas de novas ideias, produtos, aplicativos, etc. Nunca foi tão fácil e, de certa forma, barato obter enxurradas de ideias, nascidas dentro e fora das companhias. Mas parece que o segredo para vencer é outro. E o próprio setor automotivo vem gerando respostas bem interessantes à uma pergunta importante. Afinal, para onde inovar?

Mesmo em um mercado estagnado e difícil, alguns modelos de veículos fazem enorme sucesso, a ponto de haver filas de espera. Não é intrigante? A Honda com o HR-V, a FCA com o Jeep Renegade, a Hyundai, entre outras. O que esses fabricantes têm que os outros não têm?

Venho fazendo essa pergunta a muitos experientes executivos e, surpreendentemente, nenhum deles entendeu, de fato, o que está ocorrendo. Respondem-me em tom irônico que manifesta certo desconforto – para não dizer raiva – que se trata apenas de uma “modinha”.

Pena que seja assim, que estes dirigentes não tenham compreendido até agora a dinâmica da Inovação Estratégica, única alternativa que poderá resgatá-los dessa areia movediça na qual caíram. De outro lado, os que entenderam que a arena competitiva mudou e se prepararam estão vendo crescer as filas nas portas das suas concessionárias. Nestas filas consumidores que percebem valor em suas propostas, desejam seus produtos e estão prontos para colocar a mão no bolso, por mais difícil que seja o momento do país.

Nossa metodologia de Inovação Estratégica compreende vários componentes e tem sido aplicada com enorme sucesso em diferentes portfólios de produtos e setores, inclusive no automotivo. É difícil sintetizá-la aqui em poucas linhas, mas, basicamente, leva em conta três dimensões principais.

A primeira é a Inovação de Significado, também denominada por nós Inovação Guiada pelo Design. Não estamos falando de estética, mas sim de desenvolver produtos adorados. Para que isso ocorra, atuamos no significado dos produtos e nas relações afetivas entre eles e seus clientes, atendendo a desejos muitas vezes ainda latentes. Olhe para a proposta de valor do Renegade, para toda a campanha de comunicação. Para a relação das pessoas com o produto. Entenderá do que estamos falando.

A segunda dimensão é o foco na exportação. Tenho perguntado nas empresas que visito quem está cuidando dos mercados externos. Questiono também como as perspectivas de negócios criadas pela alta do dólar e pelos acordos internacionais recém-assinados influenciam as inovações realizadas no Brasil. As respostas são assustadoras e mostram, no mínimo, uma enorme lentidão. Enquanto isso, as vendas do Volkswagen Up! crescem graças às exportações para o México.

O terceiro aspecto é o binômio qualidade e preço. Isso mesmo: “quality is still a problem”. Não qualidade na abordagem de 25 anos atrás, quando remetia ao mero “não defeito”, mas em uma visão moderna e muito mais abrangente. Esta novo olhar envolve, além da qualidade intrínseca dos veículos e das peças, qualidade da venda, dos serviços nas concessionárias e, claramente, os custos envolvidos. Nós consumidores estamos muito mais informados e capacitados para avaliar levando em conta essa qualidade integral. Olhe para o sucesso das montadoras japonesas e elimine de vez essa dúvida.

A metodologia que desenvolvemos comporta outras dimensões que não cabe detalhar aqui. Mas o que foi exposto já permite antecipar que automóveis projetados para o mundo, com forte significado para os clientes, capazes de fazê-los se apaixonar e que tenham, comprovadamente, qualidade integral elevada e custos justos continuarão vendendo. Estes produtos serão a opção dos consumidores, que sempre existirão e continuarão querendo trocar de carro. Os demais automóveis? Bem, a palavra já diz tudo: os demais acabarão descobrindo dolorosamente que estão “a mais”.

Comentários: 3
 

Wagner Polonio
14/01/2016 | 09h06
Muito oportuno e real. Sou auditor da qualidade automotiva e percebo essas "verdades", tanto nas organizações de origem ocidental como nas orientais. O foco no foco do cliente é, de longe, um valor maior dos orientais onde, por vezes, o presidente da empresa vai às suas concessionárias avaliar a solução de problemas estratégicos de "qualidade integral". Vou reforçar a minha atenção à conformidade das "Políticas de Qualidade" das organizações X a sua prática verdadeira. Parabéns!

Luis Claudio Gomes
18/01/2016 | 21h03
Entendo que as grandes marcas estão se preocupando em trazer os seus lançamentos também para o Brasil, prática que não acontecia, com a mudança de estratégia e com doses de muita qualidade e competência, algumas marcas estão superando as suas metas, mesmo nos momentos de crise. Diariamente temos que ter a percepção do que melhorar, o mercado muda de uma hora para outra, as pessoas são influenciadas o tempo todo, temos que ser velozes.

Wagner Mazza
25/12/2016 | 07h47
Um bom começo para o setor sair da crise seria uma mudança no modelo de gestão dos departamento de vendas com lideranças mais atentas à e focadas no atendimento nos show rooms cuja qualiadade quase sempre deixa a desejar , com os passos da vendas cumpridos e processos de follow up e perseguição da venda executados. O fluxo de loja, ligações e leads geradas são mal aproveitadas o que denota equipes sem liderança, processos, treinamento e kaisen. O básico-bem-feito continua funcionando, passaram-se 40, 50 anos e sistema de distribuição de veículos, não aprendeu ainda a fazer o básico do básico, entre no site de 10 concessionárias e gerem leads ou liguem para as mesmas 10 empresas, não precisa ser um expert para perceber que está feia a coisa, então se o modelo de gestão do departamento de vendas de veículos novos, seminovos e vendas diretas das concessionárias não melhorarem, muitas concessionárias contunuarão fechando em 2017.

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