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Opinião | Ingo Pelikan |

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Ingo Pelikan

Este é o momento de capacitar

Reforçar conhecimento é alternativa para usar o maior tempo disponível

Quando temos mercado aquecido ou demanda forte, treinamento se torna palavra de ordem, embora normalmente seja uma prática tardia porque se perde a oportunidade de estar na frente já neste momento de alta. Da mesma forma, em períodos de retração econômica, as empresas buscam rapidamente se adequar à realidade, orientadas logicamente por questões financeiras. A primeira preocupação é a sobrevivência, o que não deixa de ser compreensível.

Essa não é uma característica exclusiva da indústria brasileira, mas o fato é que muitos casos de sucesso são justamente de empresas que souberam melhor aproveitar os momentos de instabilidade, como este que vivemos. Em outras palavras, as crises são períodos de grande dificuldade, mas também um mar de oportunidades para se reorganizar, pensar diferente e criar coisas novas.

São dois os principais fatores para investir na capacitação das equipes. Um deles é a disponibilidade de tempo. Com demandas mais baixas há tendência natural de ociosidade da mão de obra. Em vez de conceder licenças remuneradas ou férias coletivas, entre outros artifícios para compensar o excesso de pessoal, uma alternativa é aproveitar as horas disponíveis para reforçar o conhecimento.

Como forma de capacitar sem onerar demais o caixa, boa parte das empresas já pratica o chamado treinamento on the job. Usa conhecimentos próprios para multiplicar o saber. Outra possibilidade é conciliar a demanda real com o que se oferece no mercado. Com uma pesquisa mais apurada e um planejamento mais antecipado, provavelmente surgirão boas oportunidades.

Neste sentido, o próprio IQA oferece uma gama de cursos para qualidade, inclusive dentro da companhia, conforme a necessidade do cliente.

Outro aspecto, agora técnico, é a necessidade de revisar os processos produtivos e operacionais, o que também requer treinamentos, para que as pessoas estejam mais bem preparadas para vencer as dificuldades de agora e crescer quando houver a retomada. Importante lembrar que normalmente temos retomadas com aumento de capacidade, mas precisamos voltar a crescer com ganhos de produtividade.

Para isso devemos agir agora. O conhecimento é a base da inovação. Quanto mais conhecimento houver, mais possibilidades de explorar estudos e pesquisas que vão gerar a inovação adequada. Obviamente, a inovação não está amarrada somente ao conhecimento, que ainda precisa estar alinhado com a inspiração, o faro para o novo, a percepção do que é importante.

É na verdadeira necessidade que se tende a realmente crescer em criatividade e buscar o novo. Com o uso de treinamentos, o tempo de resposta à situação de crise e mudança se torna muito mais rápido e menos conturbado. Mas, para gerar resultados, é fundamental que a capacitação tenha objetivos estratégicos claros e esteja vinculada com os planejamentos das empresas.

Com treinamento, a motivação das equipes também é outra porque, normalmente, em momentos de instabilidade, a motivação cai em razão do clima de insegurança, o que bloqueia as novas ideias. Capacitar as pessoas gera credibilidade, confiança e, por consequência, motivação diferenciada para buscar algo melhor e estar preparado.

Avalia-se muito o custo da qualidade quando se deveria analisar o custo da não qualidade para saber o quanto se precisa investir para ter melhor resultado. Para os treinamentos, o ideal mesmo seria um planejamento constante porque, se a capacitação estiver incorporada na organização como fato rotineiro, contará com maior facilidade para a obtenção de recursos e independerá do momento de crise.

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