ANÁLISE

QUALIDADE

Este é o momento de capacitar


Reforçar conhecimento é alternativa para usar o maior tempo disponível


Quando temos mercado aquecido ou demanda forte, treinamento se torna palavra de ordem, embora normalmente seja uma prática tardia porque se perde a oportunidade de estar na frente já neste momento de alta. Da mesma forma, em períodos de retração econômica, as empresas buscam rapidamente se adequar à realidade, orientadas logicamente por questões financeiras. A primeira preocupação é a sobrevivência, o que não deixa de ser compreensível.

Essa não é uma característica exclusiva da indústria brasileira, mas o fato é que muitos casos de sucesso são justamente de empresas que souberam melhor aproveitar os momentos de instabilidade, como este que vivemos. Em outras palavras, as crises são períodos de grande dificuldade, mas também um mar de oportunidades para se reorganizar, pensar diferente e criar coisas novas.

São dois os principais fatores para investir na capacitação das equipes. Um deles é a disponibilidade de tempo. Com demandas mais baixas há tendência natural de ociosidade da mão de obra. Em vez de conceder licenças remuneradas ou férias coletivas, entre outros artifícios para compensar o excesso de pessoal, uma alternativa é aproveitar as horas disponíveis para reforçar o conhecimento.

Como forma de capacitar sem onerar demais o caixa, boa parte das empresas já pratica o chamado treinamento on the job. Usa conhecimentos próprios para multiplicar o saber. Outra possibilidade é conciliar a demanda real com o que se oferece no mercado. Com uma pesquisa mais apurada e um planejamento mais antecipado, provavelmente surgirão boas oportunidades.

Neste sentido, o próprio IQA oferece uma gama de cursos para qualidade, inclusive dentro da companhia, conforme a necessidade do cliente.

Outro aspecto, agora técnico, é a necessidade de revisar os processos produtivos e operacionais, o que também requer treinamentos, para que as pessoas estejam mais bem preparadas para vencer as dificuldades de agora e crescer quando houver a retomada. Importante lembrar que normalmente temos retomadas com aumento de capacidade, mas precisamos voltar a crescer com ganhos de produtividade.

Para isso devemos agir agora. O conhecimento é a base da inovação. Quanto mais conhecimento houver, mais possibilidades de explorar estudos e pesquisas que vão gerar a inovação adequada. Obviamente, a inovação não está amarrada somente ao conhecimento, que ainda precisa estar alinhado com a inspiração, o faro para o novo, a percepção do que é importante.

É na verdadeira necessidade que se tende a realmente crescer em criatividade e buscar o novo. Com o uso de treinamentos, o tempo de resposta à situação de crise e mudança se torna muito mais rápido e menos conturbado. Mas, para gerar resultados, é fundamental que a capacitação tenha objetivos estratégicos claros e esteja vinculada com os planejamentos das empresas.

Com treinamento, a motivação das equipes também é outra porque, normalmente, em momentos de instabilidade, a motivação cai em razão do clima de insegurança, o que bloqueia as novas ideias. Capacitar as pessoas gera credibilidade, confiança e, por consequência, motivação diferenciada para buscar algo melhor e estar preparado.

Avalia-se muito o custo da qualidade quando se deveria analisar o custo da não qualidade para saber o quanto se precisa investir para ter melhor resultado. Para os treinamentos, o ideal mesmo seria um planejamento constante porque, se a capacitação estiver incorporada na organização como fato rotineiro, contará com maior facilidade para a obtenção de recursos e independerá do momento de crise.

Comentários: 4
 

João Marcelo C. da Silva
15/10/2015 | 08h22
Realmente a crise gera inúmeras oportunidades de melhoria principalmente em processos, pois com relação a treinamentos as empresas não estão disponibilizando de verbas, e não há pessoas ociosas estas já foram cortadas, pois os custos de produção aumentaram muito. Com a baixa demanda temos tempo para testes de novas ferramentas, modernizar maquina alinhar seu processo de controle e garantia da qualidade com objetivos de melhorar a produtividade e consequentemente abaixar custos e estar pronto para uma retomada de produção com pronto atendimento ao seu cliente.

Gian
19/10/2015 | 08h12
Como dito ai em cima, percebe-se que mesmo em uma conversa despretensiosa a questão de investir em treinamento NUNCA é bem vista ou colocada em prática! Mesmo sendo citado no texto que o treinamento é on the job, ou seja, feito pelos de funcionários para funcionários o que gera pouquíssimo custo para a empresa ... Investir na qualificação dos funcionários é lenda, pq nem em um "papo" as pessoas se interessam realmente por isso ... lamentável !

Gustavo P. Silva
19/10/2015 | 11h14
O tema é bastante oportuno e concordo com o sentido e o teor. Quando o autor escreve "Reforçar conhecimento é alternativa para usar o maior tempo disponível" enfraquece o valor de seu conteúdo. Não que esteja errado, mas é o tipo de coisa que pode ser usado contra. É muito comum, no Brasil, as empresas iniciarem os cortes por despesas com treinamentos (que deveria ser investimentos com treinamentos, mas a contabilidade é um tanto cruel neste ponto) e vários outros antes de cortar na carne, e ainda vender como uma boa medida. Ora, se precisamos ser mais produtivos, fazer muito mais com muito menos, precisamos de motivação e capacitação para abordar os processos e os desafios com armas e táticas diferentes. Isso, sim, deve ser enfatizado a todos que de alguma forma influenciam ou decidem nas empresas. Quebrar o paradigma do treinamento como despesa e tratá-lo com mais seriedade e portanto mais cientificamente.

Cherlei Estela Benkendorf
13/11/2015 | 09h44
A questão vai muito além de investir ou não ações de treinamento. Treinar por treinar ou para melhorar o índice de horas treinamento, também não é o caso. O que precisamos refletir é como resgastar em nossas equipes e colaboradores os 'valores e os princípios' éticos e morais básicos, aqueles praticados pelos nossos pais (dependendo da idade de quem está lendo este comentário), avós e bisavós, Hoje nos deparamos com imoralidade e amoralidade e em todos os segmentos. E o que é pior impunidade.

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