ANÁLISE

RH E VIDA CORPORATIVA

Trabalhar pelo Brasil dos sonhos


É preciso curar o País com inteligência, bom humor e transparência


Sexta-feira, dia de trânsito pesado em São Paulo. Entro no carro e me dirijo ao trabalho. Ligo o rádio, e após as manchetes, começa o detalhamento da crise, dos escândalos, dos crimes, e das infinitas mazelas que enfrentamos todos os dias. Um desconforto interno me faz buscar o celular. Santa tecnologia Batman! Salvo pelo Spotify - para quem não conhece, é um aplicativo de música muito legal. Digito Caetano Veloso. Peço para tocar as canções aleatoriamente e a primeira foi uma de Gilberto Gil, Buda Nagô, uma canção que ele fez para Dorival Caymmi.

Foi como água fresca no deserto, meu amigo. Sorvi cada gota daquela letra, daquela canção. De repente me teletransportei da crise para o Brasil dos meus sonhos, o verdadeiro, o que vive no meu coração. Aquele onde somos corteses, onde exorcizamos nossas dores com festa, com samba, com alegria de viver. Veio-me à mente o país que será o celeiro do mundo, o destino de quem anseia por alegria. Por que envenenar meu sangue com a poção podre de Brasília? Por que não sonhar com as serras gaúchas recebendo milhares de turistas? Por que não deixar-me levar pelas águas cristalinas de Bonito? Porque não me extasiar com a Chapada Diamantina, o verde bandeira do Amazonas, os Lençóis Maranhenses, o Rio de Janeiro, as violas das cidadezinhas do interior, a poesia de Cora Coralina, de Vinícius, de Drummond, de Mario Quintana, meu favorito?

Chega do fel político, eu quero doce de abóbora. Quem disse que só há um caminho? Quem falou que nossa vocação é A ou B? Subiu o dólar? Americanos, venham gastá-los no Brasil, terra do amor, do sol, dos 8 mil quilômetros de praias. Senhores políticos, concentrem-se na simplificação, na eficiência, na infraestrutura. Não, vocês não podem ser donos de tudo. A sorte aumenta dividindo com os demais. Parem de matar a nação com mais impostos. Curem o Brasil com inteligência, bom humor, honestidade, transparência. Transformem a terra do futuro no futuro da Terra.

No meu coração brasileiro, brota um sentimento que estamos, como um paciente doente, encontrando armas espirituais para sobreviver, renascendo na fé de um Brasil melhor, muito melhor, que será o contraponto da economia capitalista. Será a economia espiritualista, aquela em que que só enriquece quem divide com o outro, ajudando, construindo, inovando. Quero ouvir Djavan, Caetano, Elis, Gil, Vinícius e buscar neles inspiração para fazer do lugar onde nasci um dos melhores do mundo. Porque não fazemos diferente?

Que tal um objetivo maior que nosso umbigo? Que tal ajudar, de verdade, a acabar com a fome e a miséria também na África, nossa mãe? Vejo os refugiados chegando na Europa, desesperados, e as portas se fechando. Que mundo é esse? Porque não podemos nós brasileiros dar o primeiro passo? Porque não exportar alimentos e depois conhecimento para que eles dividam conosco, num futuro próximo, a responsabilidade de alimentar o planeta? Chega de olhar só o que há de ruim. Nós, brasileiros, podemos muito mais. Quer me acompanhar? Não, não sou Poliana, mas pelo amor de Deus, vamos sair dessa depressão de crise e nos mover para onde brilha o Sol.

Ninguém vai conseguir parar o Brasil que busca superação. Ela virá da nossa essência, não da cópia de modelos estrangeiros. Sim, vamos nos inspirar no que há de virtuoso neles. Mas vamos acreditar nos nossos valores, nossas virtudes, nossas crenças. Convido você a ser parte da geração que transformará o Brasil no país que todos querem visitar, se espelhar, compreender e desfrutar. Não é só grana, gente. Isso é consequência. Busque aí na internet a canção de Caetano, dinheiro não. Se ainda não acredita, ouça mais uma do Gil: Andar com Fé. Mas ouça mesmo, com muita atenção, sorvendo cada palavra, escutando com o coração.

Comentários: 2
 

Robson Nascimento
02/09/2015 | 07h36
Bom dia Ivan, Muito obrigado por publicar algo, que está no meu coração há muito tempo. Sou um apaixonado pelo nosso país e toda a nossa cultura e diversidade... Continuo acreditando no Brasil, faço minha parte todos os dias, nos pequenos gestos, e tenho muita fé que faremos aqui o país dos nossos sonhos. Parabéns pelo texto inspirador. Abraços Robson

Yuri Martinez
11/09/2015 | 11h34
Lindo texto! A fé não costuma "faiá"!

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