ANÁLISE

RH E VIDA CORPORATIVA

As boas coincidências


Momentos ao redor dos amigos são essenciais


No fim de semana passado reunimos o pessoal do condomínio onde moro numa feijoada beneficente em prol da escola pública da comunidade vizinha. Foi um sucesso! Duzentos moradores e convidados, que pouco se veem na correria do dia-a-dia, animados, conversando, confraternizando, felizes por fazer a diferença para as crianças que frequentam essa escola. A diretora do colégio participou conosco, ajudando na cozinha e a servir os convidados. Eu fiquei no bar, junto com outros três vizinhos, preparando as caipirinhas e vendendo a cervejinha, os refrigerantes, água e sucos. Iniciamos ao meio dia e terminamos as 16:30h. Sucesso total, não sobrou nada, caixa forrado para a reforma da escola.

As quatro horas de pé no balcão passaram voando. Nosso entrosamento era grande: deixávamos o limão já cortadinho, as polpas dos maracujás eram colocadas num pote e depois, a colheradas, passavam para as coqueteleiras. Antes de preparar, perguntávamos o gosto do cliente. Açúcar, adoçante, cachaça, vodka, muito ou pouco gelo. Aí era só juntar tudo, com muito capricho e carinho, e pronto.

Meu amigo me comentava sobre como era gostoso esse sentimento de fazer algo pelos outros, de poder estar ali trocando bons propósitos com tanta gente. Ele também falou que estava surpreso com a nossa performance, todo mundo no maior astral. Refleti e respondi a ele: "o tempo aplaina tudo, principalmente os egos". Quando nos colocamos em posição de servir, sem competição, mas pela grandeza de fazer o bem, tudo funciona, uma energia boa inunda os corações e nos iluminamos.

Mais tarde, já preparando esse texto e relendo meus artigos anteriores - coisa que sempre faço para não me repetir - me deparei com um de dezembro de 2006, que escrevi após me encontrar com amigos do passado para celebrar o fim de ano. Dizia assim:

"Depois de diversas tentativas, conseguimos uma data em comum para reunir os amigos da adolescência. Não é coisa pouca quando se vive numa cidade como São Paulo. Nove pessoas. O mais jovem, 44 anos, o mais velho, 46. Trinta anos de amizade desde que nos lembramos das nossas primeiras aventuras. Foi ontem, muito próximo de onde nos víamos no passado. Com alguns convivo diariamente (dois viraram compadres), com outros esporadicamente. Um deles, não via há 25 anos. Mas quanta sintonia, quanta coisa boa. É como se tivéssemos nos encontrado ontem. A conversa fluiu solta porque as capas dos egos que temos que usar para sobreviver ficaram penduradas na entrada. E a sensação é de total familiaridade. Por reencontrar os amigos, e nosso velho e querido “eu”!

A sensação maravilhosa que os valores de então permanecem no seu coração. Com muita alegria e orgulho vi que aqueles adolescentes se transformaram em homens valorosos, pais carinhosos, gente do bem. Brinquei e disse que juntos tínhamos 400 anos de experiência. E que os cabelos grisalhos dos outros - os meus já me abandonaram, mas o bigode e o cavanhaque me dão o gosto - nos davam um charme especial. Sem falsa modéstia reparei como estamos bonitos!

Por fora, por dentro. Mais gordinhos? Claro. Rugas? Também! Mas os anos lapidaram as arestas, a energia da juventude foi transformada em sabedoria. As aventuras perigosas, felizmente tiveram consequências brandas e se transformaram em material farto para histórias que revivemos no coração. Algo me chamou a atenção: todos os nove permanecem casados com a esposa original. Raríssimo hoje em dia. Houve a proposta de celebrarmos nossos aniversários em conjunto num cruzeiro. Acho que é uma excelente ideia. Meus queridos amigos. Os que convivo diariamente, esporadicamente ou o que não via há 25 anos, os amo muito. Que Deus continue os cobrindo de saúde e que possamos nos reencontrar várias vezes!"

Em comum nas duas situações estão os amigos, o ego abrandado e o desejo de fazer o bem. A mistura desses ingredientes sempre resulta em coisa boa.

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