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Opinião | Fernando Calmon |

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Fernando Calmon

13/01/2009

Tempo de refletir

A eterna disputa entre otimistas e pessimistas remete à velha discussão se o copo está meio cheio ou meio vazio. Foi o caso do ano de 2008, segundo dados revelados pela Anfavea. Nos 12 meses do ano passado, todos os recordes foram batidos (produção, vendas e valores de exportações), salvo as exportações em unidades (melhor em 2005). O Brasil saltou três posições no ranking mundial, para quinto maior mercado, com 2,82 milhões de unidades. Em produção ficamos em sexto, 3,21 milhões de unidades.

Por outro lado, as vendas em dezembro caíram cerca de 20% em relação ao mesmo mês de 2007. De fato, os reflexos dos estímulos fiscais só ocorreram na segunda quinzena. Mas, a produção mergulhou nada menos de 54% graças às férias ampliadas. Apesar disso, os estoques para 36 dias (eram 56, em novembro) ainda ficaram uns 20% acima do considerado normal. Trata-se de indicador preocupante. Outra referência é a permanência dos carros mais baratos (motores até 1 litro) abaixo de 50% das vendas totais, indicando fraqueza na base do mercado.

A eterna disputa entre otimistas e pessimistas remete à velha discussão se o copo está meio cheio ou meio vazio. Foi o caso do ano de 2008, segundo dados revelados pela Anfavea. Nos 12 meses do ano passado, todos os recordes foram batidos (produção, vendas e valores de exportações), salvo as exportações em unidades (melhor em 2005). O Brasil saltou três posições no ranking mundial, para quinto maior mercado, com 2,82 milhões de unidades. Em produção ficamos em sexto, 3,21 milhões de unidades.

Por outro lado, as vendas em dezembro caíram cerca de 20% em relação ao mesmo mês de 2007. De fato, os reflexos dos estímulos fiscais só ocorreram na segunda quinzena. Mas, a produção mergulhou nada menos de 54% graças às férias ampliadas. Apesar disso, os estoques para 36 dias (eram 56, em novembro) ainda ficaram uns 20% acima do considerado normal. Trata-se de indicador preocupante. Outra referência é a permanência dos carros mais baratos (motores até 1 litro) abaixo de 50% das vendas totais, indicando fraqueza na base do mercado.

Porta-voz da Honda na Argentina, Hideto Maehara, anunciou que as dificuldades forçarão o adiamento por pelo menos seis meses do início de produção do City (versão sedã do Fit), na província de Buenos Aires. O modelo, cujo principal alvo é o Brasil, ficaria para 2010. Aqui, a Honda não se manifesta.

Para os importadores não será um bom ano. Com menos veículos vindos do exterior, empregos brasileiros perdidos em função da queda das exportações poderão ser compensados, em parte.

Em meio às incertezas gerais há diferentes leituras dos números. A Fenabrave, associação das concessionárias, mudou de pessimista para otimista. Acredita que mesmo se a prorrogação do IPI menor for suspensa a partir de 1º de abril, ainda alcançaremos uma nada modesta – para a situação atual – elevação de 4%, ou nominalmente cerca de duas vezes superior aos 2% esperados de crescimento para a economia brasileira em 2009.

Estatisticamente há relação histórica entre esses dados em condições consideradas normais. Por sua vez, a Anfavea prefere esperar pelo comportamento das vendas em janeiro para fazer previsão anual.

Dois renomados consultores apresentam visões opostas. Wolfgang Sauer, ex-presidente da VW do Brasil, acredita que em dois ou três meses o pior terá passado e as vendas reagirão. Já o ex-presidente da Anfavea e com mais de 50 anos de atuação no setor (foi vice-presidente da GMB), André Beer, afirma que espera queda mínima de 10% em 2009 sobre 2008. Para ele, “seria um grande resultado”.

O consumidor está assustado pela desvalorização do seu carro usado. Jackson Schneider, presidente da Anfavea, reconhece o problema espinhoso e estuda estratégias inclusive com o governo. “O veículo novo também caiu de preço. A relação de troca melhorou”, argumenta.

Tantas variáveis dificultam a decisão do comprador. Bombardeado por notícias ruins é natural que hesite e diminua o grau de confiança. Uma coisa parece certa. O incentivo fiscal deverá ser prorrogado, porém anunciado o mais perto possível de 31 de março, apesar de a propaganda poder indicar o contrário. Todos terão tempo para refletir e tomar a decisão correta.

RODA VIVA

VISANDO em especial o mercado americano, a VW produzirá no México novo sedã pouco maior que o atual Jetta, segundo fontes próximas à fabrica. Base será o Golf VI, à venda na Europa desde setembro de 2008, e previsto também para São José dos Pinhais (PR). Aquele sedã chegará ainda aos países do Mercosul. Sem imposto de importação e preço competitivo.

ESPECIALISTAS em segurança de trânsito alertam sobre riscos de trechos esburacados, seguidos ou precedidos por estradas reformadas ou em melhores condições. Motoristas tendem a acelerar, aproveitando o piso bom para recuperar o tempo perdido em ziguezagues irritantes ao driblar as crateras. Uniformização é o mínimo que se pede na viagem.

APESAR da autossuficiência, o desequilíbrio ao compensar exportações de petróleo pesado (aqui produzido) e gasolina com importação de petróleo leve (para refinarias brasileiras) atingiu mais de US$ 13 bilhões em 2008. O déficit significou quase metade de todo o superávit comercial do País. Indica quanto ainda estamos vulneráveis e uma das causas da gasolina manter o preço.

LENDA urbana comprovada. Testes feitos pela revista Autoesporte, edição deste mês, com a ajuda de medição acústica por aparelhos de última geração, demonstraram que não há diferença perceptível de ruído ou aspereza em motor flex utilizando gasolina ou álcool. Tem gente que jura escutar ou perceber a diferença. O carro testado foi o novo Gol, motor de 1,6 litro.

ESPELHO retrovisor com viva-voz para celulares já está disponível no mercado nacional. Vossor PhoneBook, da alemã Seecode, utiliza tecnologia Bluetooth. Pode ser fixado sobre o espelho original por tiras opcionais. Há dois microfones sem fio de alta sensibilidade e agenda para 600 contatos. Pormenores: www.totaltire.com.br.

Alta Roda nº 507 — 13 de janeiro de 2008
fernando@calmon.jor.br

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