ANÁLISE

RH E VIDA CORPORATIVA

Organizações flex


A receita para tirar proveito do conflito de gerações


Com muita frequência o assunto conflitos de gerações ganha impulso e desafia o mundo corporativo. Apesar da relevância, não é um tema novo. Desde sempre somos sucedidos por jovens. Enfrentamos sim uma grande diferença. A velocidade do intercâmbio de informações e conhecimento. No mundo onde a internet das coisas bate a porta, as trocas acontecem em velocidade sem precedentes. Facebook está fora de moda para quem é de vanguarda. E-mail beira a pré-história para os usuários de grupos fechados de WhatsApp.

Cada pessoa com um smartphone carrega consigo uma porta de acesso imediato a um banco de informações gigantesco que cresce em progressão geométrica. Coisas que no passado custavam uma fortuna (uma pesquisa de satisfação do cliente, por exemplo), podem ser organizadas e implementadas num piscar de olhos, gratuitamente. Softwares de gestão, uma vez implementados, oferecem em tempo real a situação financeira de uma empresa em um apertar de botão.

Experimente digitar PIB Brasil na barra do Google. Em segundos um gráfico surge na tela. Clique no link “explorar mais” que aparece na parte de baixo do gráfico. Não é assombroso? Ali, em segundos, você tem dados para análises complexas, que levariam meses ou até anos para reunir há bem pouco tempo. Se você é um jovem profissional, tem a seu favor um contingente de dados e informações que poucos presidentes de empresa tiveram num passado não muito distante. Se você é um líder hoje, precisa entender essa tecnologia e aplicá-la no dia-a-dia.

Para que não percamos essa fabulosa oportunidade que a tecnologia nos oferece é fundamental para qualquer grupo profissional construir uma organização flex. Jovens e seniores trabalhando juntos, num formato diferente dos organogramas tradicionais. A hierarquia não conta muito numa rede de troca de informações. As decisões podem, mais do que nunca, ser tomadas com dados. Nesse contexto é preciso contagiar os mais seniores com a coragem dos jovens em fazer diferente, em ir além, em ousar mais. É preciso também expor estes jovens ao aprendizado conquistado em anos de vivência. Afinal, para transformar dados e informação em sabedoria, vivência é fundamental e ainda não inventaram substituto para o tempo.

Por isso acredito nas organizações flex, em que esse tempo de aprendizado pode ser otimizado. Jovens contagiando líderes com sua energia, vitalidade e coragem de reinventar o mundo, trilhar novos caminhos. E seniores, com sua experiência de vida, indicando atalhos e perigos no caminho que já trilharam antes. Sugiro trocar o termo conflito de gerações para simbiose de gerações. Nesse contexto, as políticas de recursos humanos precisam ser de vanguarda. Será preciso aprofundar o conhecimento das coisas não técnicas, das chamadas emoções, dos egos, complexas e arraigadas nos seres humanos. A energia fundamental que incita a inovação é a mesma da vida, a alegria. Tão importante quanto uma organização eficiente e rentável será a organização feliz.

Talvez você, da minha geração (estou com 53 anos) esteja pensando “bobagem, o que fala alto é o lucro.” Não discordo. Apenas acrescento que a definição de lucratividade já não é medida só em espécie monetária. Pergunte a um jovem de sua empresa o que é mais importante, salário ou qualidade-de-vida. Pois é, esse jovem vai ser o líder da sua organização no futuro. Eu aposto que ele irá acrescentar alegria na sua lista de objetivos em um futuro bem próximo. Ajustar as organizações para esse novo cenário que se descortina é fundamental para atrair e reter os melhores talentos e garantir o sucesso futuro.

Comentários: 6
 

Ricardo M.
11/02/2015 | 09h27
Caro Ivan. Não só tenho lido muito a respeito mas vivencio tal conflito diariamente na empresa em que trabalho. Em constante benchmarking com outras indústrias automotivas e também participando dos dois primeiros fóruns de rh, concluo que principalmente em função da idade de nossas empresas, o comando delas, ainda de remanescentes dos baby boomers e alguns da geração X, com valores muito resistentes, ainda zelam fortemente pela autocracia, desde a postura como na manutenção das ferramentas motivacionais. Como maior sintoma, vejo que as empresas não conseguem mais promover os jovens em cargos de liderança. Seja pela falta de candidatos interessados ou pelo não enquadramento do desejado perfil.

Ricardo M.
11/02/2015 | 09h28
Como pior consequência também, não somos mais atrativos para os melhores profissionais. Como obteremos diferenciais de mercado, eficiência e por fim lucro? Objetivamente pergunto: busco uma consultoria ? (ela confrontaria os valores do comando?); Espero este comando se aposentar?; Tento uma revolução?; Busco outras oportunidades? Acho que precisamos de muita ajuda....

Feliciano JR
12/02/2015 | 09h28
Bom dia , a partir do processo seletivo de uma empresa ,contratação ... não deveria existir esta separação , jovem, geração X,Y, Z etc... e SIM profissional, somos todos profissionais e empregados , talvez este seja o problema de várias empresas e inclusive essa mentalidade de achar que um profissional com certa idade está velho para o cargo ! ( ele vai ter que correr como um jogador de futebol que joga na lateral direita ? ) Brasil ( apenas minha opinião ) Abraço Feliciano JR

José Roberto Filho
13/02/2015 | 08h40
Caro Ivan, bom dia! Sem dúvida, combinar a longevidade de nossas vidas e por conseguinte carreiras, com a velocidade, ansiedade e expectativa das gerações mais jovens é o grande desafio n gestão de pessoas das organizações já no presente e certamente no futuro. Grande prazer poder interagir contigo usando essa mídia. J. Roberto Fo./Siemens

Dalton Reis
18/02/2015 | 14h13
Li recentemente em um artigo (entrevista) com J. Peter, que quando perguntado sobre o modelo de gestão de pessoas, ele respondeu que "parece que ninguém sabe realmente o que fazer", novas tentativas surgem, mas "atirando" em todas as direções. Ele complementa, comentando que entende que este é realmente o modelo a implementar.Tudo muda de maneira tão rápida e inovadora que pensar em um modelo altamente estruturado e organizado "não dá tempo"! Assim este seu artigo me parece só reforça este pensamento. Como fazer uma organização "flex" com 60/70% de colaboradores de geração anterior? Sim pois não acredito que possamos pensar em gerações, no conceito anterior. Nossos filhos entre 3 e 10 anos estão em outra esfera de comunicação que nossos filhos adolescente (15 a 20 anos). Que dirá nos (40 a 60 anos). Minha impressão é que só temos uma alternativa. APRENDER!!! Quem para de aprender, está isolado, vai morrer desinformado!!!!!

Renata Moreno Pauluci
19/02/2015 | 12h15
Olá Ivan, primeiramente agradeço pela oportunidade de ler seus artigos que enriquecem o conhecimento da minha área. Tenho 25 anos na mesma empresa, o que hoje aos 42 anos de idade, avalio como minha melhor experiência profissional e pessoal, entrei sem nenhuma experiência e tive a oportunidade de conhecer vários setores, recepção, engenharia, produção, logística, marketing, compras, departamento pessoal e recursos humanos, área que atualmente trabalho; e posso afirmar que assim identifiquei onde queria estar; essa trajetória aprimorou minha percepção na hora das contratações, hoje busco um conjunto de características para preencher o perfil ideal para a empresa, ciente da importância da convivência entre a nova geração e seniores.

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