ANÁLISE

MERCADO

Capacidade utilizada cai para 62% em 2014


Utilização do potencial só deve melhorar a partir de 2016


Quem está na indústria automotiva há anos deve se lembrar da crise econômica de 1999-2000, quando a utilização da capacidade dos fabricantes de veículos instalados no País caiu para 53%, gerando excesso de 1,5 milhão de unidades. Apesar de não termos atingido em 2014 uma porcentagem tão baixa, nossa estimativa é que a capacidade utilizada pelas montadoras foi de apenas 62% no ano passado, levando em conta o potencial de 5,1 milhões contra a produção de 3,146 milhões. Portanto, houve excedente de 2 milhões de veículos, como exposto no gráfico abaixo.

Capacidade

Só nos últimos quatro anos as montadoras instaladas no Brasil aumentaram a capacidade produtiva em 1,1 milhão sobre os 4 milhões de 2010. De lá para foram expandidas várias fábricas já existentes e construídas novas, como se vê abaixo:

BMW – 20 mil (nova fábrica em Araquari)
Ford – 30 mil (expansão em Camaçari)
GM – 180 mil (expansões em São Caetano do Sul e Gravataí)
Hyundai – 180 mil (nova fábrica em Piracicaba)
Hyundai-Caoa – 20 mil (expansão em Anápolis)
Mitsubishi – 50 mil (expansão em Catalão)
Nissan – 200 mil (nova fábrica em Resende)
PSA – 60 mil (expansão em Porto Real)
Renault – 100 mil (expansão em São José dos Pinhais)
Toyota – 150 mil (nova fábrica em Sorocaba)
Volkswagen – 150 mil (expansões em São José dos Pinhais, Taubaté e São Bernardo do Campo)

Nossa estimativa de 62% de capacidade utilizada pelas montadoras de veículos em 2014 é um pouco inferior ao divulgado pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI), que apontava em novembro de 2014 utilização de 66% no setor automotivo, como mostra o gráfico abaixo.

Utilização

A explicação da pequena diferença entre nossa estimativa e da CNI da capacidade utilizada é devida ao fato de a CNI levar em conta a utilização da capacidade tanto nas montadoras como nos fornecedores, enquanto que a nossa é só nas fábricas de veículos.

Estudos recentes do Sindipeças apontam que o faturamento das suas associadas para as montadoras caiu de R$ 60 bilhões em 2013 para R$ 50 bilhões em 2014, enquanto a receita das mesmas empresas para o mercado de reposição e exportação se manteve constante em quase R$ 20 bilhões. Com isso, vemos que a ociosidade foi maior para o fornecimento para as montadoras, enquanto o aftermarket e vendas externas não sofreram tanto.

Se 2014 foi um ano difícil para o setor automotivo, gerando ociosidade em muitas fábricas, o ano de 2015 não deve aliviar a situação. A associação dos fabricantes (Anfavea) prevê aumento na produção de 4,1%, de 3,146 milhões de veículos em 2014 para 3,276 milhões em 2015, porém a capacidade produtiva vai aumentar em mais 420 mil veículos (considerando 250 mil na Fiat Chrysler em Goiana, 50 mil na Chery em Jacareí e 120 mil na Honda em Itirapina). Portanto, em se confirmando a previsão da Anfavea, teremos piora na utilização da capacidade; de 62% em 2014 para 58% em 2015. Melhora nesse cenário só em 2016 ou 2017.

Comentários: 3
 

Ariovaldo
17/01/2015 | 10h02
A desconcentração da mão de obra de forma desordenada .

Lourenco Nampo
22/01/2015 | 01h03
Ola Julian. Estou bem e na area de soldas. Espero que esteja bem. Gostei do se artigo. Algo me faz pensar ao ver o seu artigo eh por que as japonesas estao com fila de espera e as outras com estoque e ate demissoes e consequente greves. Logicamente V. Nao vai escrever isso, mas quanto isso tudo esta relacionado com a politica do governo em isentar impostos temporariamente para fins politicos e instabilizar o eventual crescimento natural da industria. Um abraco. Lourenco

e.epiando@kostal.com
09/02/2015 | 08h41
Bom dia. Estamos em um momento de transição e certamente os aumentos de capacidade devem acompanhar as inovações tecnológicas que os veículos vêm recebendo. o próximo passo é a criação de estrutura para atender essas novas tecnológias e como o mercado vai receber e consumir esses novos avanços.

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